Jogos educativos transformam o ensino sem uso de celular
A gamificação na educação tem ganhado destaque como uma estratégia inovadora para engajar alunos e tornar o aprendizado mais dinâmico e significativo. Porém, com a recente lei que restringe o uso de celulares nas escolas, educadores têm buscado alternativas para incorporar elementos dos jogos em sala de aula sem depender exclusivamente do aparelho celular. Mas, afinal, como a gamificação pode impactar o aprendizado e quais são as melhores práticas para utilizá-la de forma eficaz?
A gamificação é a aplicação de elementos típicos dos jogos – como desafios, rankings, missões, medalhas e feedbacks imediatos – em contextos educacionais. Segundo um estudo publicado pela Universidade de Stanford, essa abordagem aumenta o engajamento dos alunos, promove a motivação intrínseca e melhora a retenção de conhecimento.
“Ao transformar o aprendizado em uma experiência ativa e recompensadora, os alunos assumem um papel mais participativo, sentindo-se desafiados a superar obstáculos e conquistar novos conhecimentos”, comenta Anna Luiza Damasceno, professora e trainee pedagógica do Grupo Salta, maior grupo de educação básica do país.
Essa tática, quando bem aplicada, é capaz de desenvolver habilidades como resolução de problemas, persistência e criatividade. O feedback constante, característico dos jogos, permite que os alunos ajustem suas estratégias de aprendizagem em tempo real, tornando o processo mais personalizado e eficiente. Tudo isso alinhado aos novos tempos de tecnologia como aliada da aprendizagem, em um mundo cada vez mais digitalizado, e gerações cada vez mais ferramentadas.
Porém, com a nova lei que limita o uso de celulares nas escolas, muitos educadores se perguntam como manter a gamificação relevante. A boa notícia é que a essência da gamificação não depende de dispositivos móveis. “O celular pode ser um recurso pedagógico complementar nas práticas de gamificação, mas o mais importante é a criação de experiências de aprendizagem que despertem o interesse dos alunos e isso não depende do aparelho celular”, explica Anna.
Estratégias como jogos de tabuleiro adaptados, caças ao tesouro temáticos e sistemas de pontuação baseados em conquistas acadêmicas são exemplos de como a gamificação pode ser aplicada sem os celulares. Em uma aula de Matemática, por exemplo, os alunos podem avançar em um tabuleiro ao resolver problemas numéricos. Em História, um jogo de cartas pode ajudar a conectar eventos históricos e suas consequências.
Nesse contexto, também é importante deixar claro que um dos desafios da gamificação é garantir que os jogos não se tornem uma distração. Para isso, é essencial que haja uma intencionalidade pedagógica clara. “O jogo precisa estar alinhado aos objetivos da aula e funcionar como um meio para aprofundar conceitos”, destaca a professora.
Planejar atividades com regras bem definidas, delimitar o tempo de execução e promover momentos de reflexão pós-jogo são estratégias eficazes para manter o foco no aprendizado. Além disso, a mediação ativa do professor é crucial para garantir que os alunos estejam engajados de maneira produtiva.
Dessa forma, a gamificação se destaca por transformar o aprendizado em uma experiência mais dinâmica e interativa, comprovando que aprender por meio da brincadeira é uma possibilidade real. De acordo com uma pesquisa da Universidade do Colorado, por exemplo, alunos que participam de atividades gamificadas apresentam um aumento de 14% em habilidades cognitivas e 11% em retenção de conhecimento em comparação com métodos tradicionais. “A gamificação não substitui os métodos tradicionais, mas os aprimora, tornando a sala de aula um ambiente mais participativo e estimulante”, conclui Anna.